terça-feira, 24 de julho de 2012

Lei De Drogas: É Preciso Mudar?


Lançou-se, agora, uma campanha denominada "Lei de drogas: É preciso mudar". Qual a finalidade? Adivinhem. Sim, é isso mesmo: a descriminalização total do uso de drogas. O primeiro passo para a liberação das drogas em geral. Aliás... primeiro não. Só mais um. Um passo um pouco maior do que os anteriores. O primeiro passo foi dado quando se lançou a ideia, alguns anos atrás, de que seria de alguma ajuda, não sei em que sentido, a descriminalização do uso de drogas.

Agora, mais uma vez, utilizam-se, numa tal campanha indecorosa, os nossos queridos atores da Rede Globo, que aparecem em fotos e vídeos ridículos, com cara sonsa de coitadinhos injustiçados e com depoimentos cínicos, vazios e tendenciosos, de forma a nos demover o coração da nossa obstinada moralidade, em favor de uma nova ordem de valores baseados na total desvalorização do homem.

O Facebook é, sem dúvida, o meio mais eficaz para lançamento de campanhas dessa natureza. É lá que se encontra o brasileiro médio. O que equivale a dizer, o brasileiro que desaprendeu seus valores. Não me canso de repetir. Sofremos de uma grave patologia moral e o pior é que os sintomas não nos incomodam mais. O brasileiro já não tem mais qualquer compromisso com o pensamento responsável, porque o pensamento responsável demanda compromisso com a verdade... e a verdade não quer agradar a ninguém. Pouco se importa com a nossa opinião.

Opinião! Esta palavra tomou para si um peso de verdade filosófica. É comum as pessoas dizerem que têm tal ou qual filosofia de vida. E essa filosofia de vida é sua opinião e essa opinião é sua verdade. Cada um, então, tem uma verdade! Um conjunto de valores particulares. A Verdade, com letra maiúscula, morreu. O ser humano não tem valores próprios a sua condição humana. Cada um tem seus valores individuais, próprios a sua pessoa. Os valores de cada um são aqueles que o agradam mais. E que ninguém se julgue no direito de opinar contrariamente, ainda que embasado na antiga Verdade. Não. É preciso respeitar as opiniões de cada um. A discordância é ofensiva. A própria Verdade é ofensiva.

O indivíduo, quanto mais imoral, mais irresponsável e menos tolerante se torna. Torna-se histericamente sensível a tudo o que não se coadune com sua opinião. E sua opinião é sempre impositiva. Os que discordam é que são chamdos de intolerantes. Os que ainda têm algum compromisso com a história e com os costumes e tentam manter em vista um fio condutor das ações humanas, baseado nas experiências passadas, são taxados de monstros insensíveis e preconceituosos.

Nunca me sairá da memória a impressão que eu tinha, quando ainda moleque, diante da palavra maconheiro. Não se referia apenas àquele que fumava o cânhamo, mas ao usuário de toda e qualquer droga. Às vezes, até, se referia simplesmente a um estilo de vida desregrado, irresponsável e marginal. Como o usuário de drogas já gozava da pior fama possível, devido a seu estilo de vida, assim também eram vistos todos os elementos que passavam um ar de vagabundagem e vadiagem. E as mães, que tinham alguma preocupação com o futuro de seus filhos (sim, isso já existiu), proibiam-nos, sob pena de castigos e chineladas, de manter qualquer contato com essas pessoas.

O que eu quero dizer com isso é que o usuário de drogas lançou um estilo de vida muito específico e reconhecível na sociedade. E a grande questão é esta: o uso de drogas envolve um estilo de vida. Não quero dizer que quem experimenta qualquer droga que seja, se torna, automaticamente, marginal. Quero dizer que o que leva uma pessoa ao uso de drogas é um estilo de vida prévio. Pode ser que, por timidez, pressão da turma, ou qualquer outro motivo, ele experimente um narcótico qualquer. Isso não o torna isso ou aquilo. O fato de ele não sentir nenhum pudor quanto a tudo isso é que o deixa tranquilo para fazer uso da droga. Daí, a tendência é só piorar. Ele não compra droga numa farmácia nem num supermercado. Precisa associar-se a elementos do meio e, a partir daí, é inegável que haja um declínio que o leva ao abandono de todos os valores sociais que eventualmente ainda o pudessem constranger e à consequente insensibilidade a toda e qualquer coação moral.

A UNESCO declara que o “usuário depentende” ou “disfuncional” é uma pessoa que “vive pela droga, quase que exclusivamente. Como consequência, rompe os seus vínculos sociais, o que provoca isolamento e marginalização, acompanhados eventualmente da decadência física e moral. Ora, mas aí é que está o cerne da questão. Quer dizer que o dependente de drogas pode ser levado à decadência moral! Mas isso é de um absurdo sem medida. A decadência moral é que leva o sujeito ao uso de drogas. E que não venham me dizer que muitas pessoas são de boa índole e maturidade emocional até o dia que usam drogas e se vêem vítimas de uma dependência. Não. Ainda que essa pessoa, para os padrões atuais, seja, de certa forma, moral e responsável, a sociedade como um todo está tão enlameada nessa ideologia desvirtuadora da humanidade, que a imoralidade não precisa ser evidente na pessoa, uma vez que toda pessoa já é educada num meio imoral. Por isso, o usuário de drogas não vê problema algum em iniciar esse estilo de vida.

Quando a família perde sua capacidade de vincular o sujeito a valores reais e universais, não haverá, para esse sujeito, qualquer impedimento à adoção de um estilo de vida condenável. Ele não sentirá sequer uma ponta de vergonha ou de compaixão por sua mãe, que chora a sua decadência física e social.

Diz-se, hoje, que a atual lei de drogas é muito justa porque, não obstante não deixe de caracterizar o uso na tipologia penal, ela não pune crimininalmente o usuário que, no fim das contas, não passaria de uma “vítima do tráfico”. Ora, isso é incoerente, pra dizer o mínimo. Alguns alegam ser, o uso de drogas, uma auto-lesão e, conforme o princípio penal, a auto-lesão não pode ser punida. Ao mesmo tempo, a doutrina vê o usuário dependente como sujeito passivo de uma “moléstia mental”. Aí está a incoerência: ou é auto lesão ou é moléstia mental. Os dois ao mesmo tempo é que não dá. Moléstia mental não pode ser auto infligida. Auto lesão não é passiva. É por isso que o doente é chamado de paciente, e não de agente. E não se pode dizer que o usuário não escolheu esse tipo de vida. Escolheu sim. Ninguém usa drogas sem escolher usá-la. Ele é agente, portanto.

A ideologia irresponsável da atualidade tem grande culpa pela compreensão torta dos eventos sociais. Não se pode taxar ninguém de marginal, nem de bandido, nem de feio, nem de nenhuma palavra patrulhada pela linguagem politicamente correta. Então vamos chamar e tratar o usuário como uma pobre vítima que não escolheu essa vida. Repito, entretanto: sim, ele escolheu.

É importante notarmos que a lei de drogas, aliás, dá ênfase ao objeto. A droga. O objeto é ilícito. Tanto é que a lei se baseia numa resolução da ANVISA para determinar o que sejam produtos tóxicos e entorpecentes. Ou seja: a ilicitude refere-se ao objeto ali discriminado. Não ao agente. O tráfico é crime porque a droga é ilícita. Sendo assim, como é que se pode dizer que o uso não é crime, já que o objeto é o mesmo e continua sendo ilícito?

A tipificação penal do tráfico visa, no fim das contas, impedir o uso. E isso tem um motivo de ser: não é o comércio da droga que é, em si, lesivo à sociedade, mas sim seu uso. Tanto que, como já dito, o que define o que é entorpecente, é uma agência de saúde. Os problemas causados pelo comércio são consequência da criminalidade envolvida, em seus mais diversos modos. Como a droga é comercializada de forma e num meio criminoso, tudo o que envole esse comércio é, também, criminoso. O traficante não pode cobrar uma dívida em juízo, então faz valer a força e o terror para assegurar seu mercado e seu lucro.

Outra coisa que vale a pena lembrar é que a lei pune mesmo aquele que, podendo evitar o crime de tráfico, se omite. Mas, escandalosamente, não pune aquele que dá causa direta à existência do tráfico, que é o usuário. Veja que a coisa não se sustenta! Ou tudo é crime ou nada o é. Punir um tipo de comércio é absurdo se o seu mercado for permitido. No fim das contas é como dizer que, embora a venda da droga seja proibida, você pode comprá-la! É um raciocínio louco. Ilógico.

Não podemos deixar de abordar, também, os argumentos nascidos do mais simples senso comum. O uso de drogas dá causa aos mais variados crimes. O uso de drogas, ainda que deixe de ser um crime em si mesmo, dá causa a tantos outros crimes. Muitos deles por parte do próprio usuário, que passa, por exemplo, a furtar para alimentar o vício. Que passa a ameaçar ou agredir familiares que tentam dissuadi-lo da vida infeliz que escolheu.

O ladrão furta porque pode converter o objeto furtado em valor. Vende a um receptador, que paga um valor, às vezes ridículo, pela coisa furtada. Para desestimular o furto, então, a lei intenta impedir que o ladrão consiga converter o objeto em dinheiro, desencorajando a receptação. Assim, pune o receptador com pena similar à do próprio ato de frutar. Torna o objeto furtado, ilícito, e isso é muito lógico. No caso das drogas, no entanto, o estado pretende fazer o caminho inverso! Ora, é evidente que, para desestimular o uso de drogas, também é preciso desencorajar o usuário! Deve-se responsabilizá-lo, sim, com o pejo de criminoso. E a compra da droga, aliás, não é mais do que uma espécie de receptação. O objeto comprado (a droga, no caso) é ilícito.

Alegam que a intenção dessa descriminalização é evitar que se puna o usuário como traficante. Ora, mas que coisa! O pobre coitado do playboyzinho está sendo injustiçado! E por isso, agora, quem vai se beneficiar serão os traficantes. O efeito será inverso. O traficante é que será, agora, desresponsabilizado, por fazer de tudo pra enquadrar-se como usuário, como, de fato, já acontece.

A nossa maior carência é de homens que tenham coragem de olhar a mentira nos olhos e desmascará-la. Que se apoiem na verdade, doa em quem doer. Que sejam firmes e de caráter inabalável. Não precisamos desses canalhas que nos (des)governam. Não precisamos desses coitadistas engajados da Rede Globo. Nós sabemos quais são os valores reais. Não precisamos dos novos "valores" globalistas.

Não nos iludamos. A consequência de uma tal tendência será, inevitavelmente, a liberação geral das drogas. Desde que o objeto não seja, em si, ilícito em todas as suas interações com o ente social, toda e qualquer objeção a sua irrestrita aceitação cai por terra. Morre de nanismo causal.

Portanto, sobre a lei de drogas eu concordo com os promotores da atual campanha: É preciso mudar. Mas não mudar de forma a desresponsabilizar o usuário taxando-o de vítima de uma doença. É preciso mudar de forma a fazê-lo responder criminalmente pelos resultados de sua conduta irresponsável. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Cotas Raciais

No post anterior eu disse algo a respeito da segregação tornada possível pelas teorias desumanizadoras, das quais é exemplo mais marcante a hipótese evolucionista de Darwin. Mencionei mas não desenvolvi o assunto. Queria, naquele post, dizer uma coisa e acabei dizendo outra, mas, vá lá, ainda há tempo.

A teoria da evolução foi largamente utilizada pelos europeus, em especial pelos ingleses, na escandalosa fraude do Homem de Piltdown, como argumento de que a raça negra é biologicamente inferior ao branco europeu e, em consequência, inferior, também, social e intelectualmente. Era a desculpa "científica" para a exploração do negro. Era a justificativa para a corrida imperialista do século XIX. Os negros, segundo Darwin, estavam fadados, pelo processo de seleção natural, à extinção. O resto é História.

O resto é história e a história mostra que Darwin estava errado. Redonda, quadrada e triangularmente errado. Mais uma vez, aliás. Os negros não só não foram extintos como são maioria no Brasil desde 2010, segundo o IBGE. Não é preciso lembrar que a África é um continente imenso com maioria inquestionável de negros. Ah, e tem os bilhões de indianos também que, segundo o evolucionismo, não são, também, dos mais evoluídos. Vamos comparar esses números com o número de Arianos? De europeus de olhos azuis? É até covardia, né?

Independente de qualquer argumento pró ou contra a hipótese darwiniana, o que me parece é que o ser humano, em sua escalada evolutiva, deve ter chegado ao seu ponto máximo. Atingiu seu ápice e agora desce, desabaladamente, ladeira abaixo. O homem regride. Não tenho a menor dúvida da regressão social, política, intelectual, cultural e, principalmente moral, do ser humano.

Houve muitos, na história da humanidade que anunciaram a morte de Deus ou da religião. Voltaire, Marx, Nietzsche, etc, etc, etc. Entretanto, a religião só faz crescer! Quanto mais o homem se afunda na lama da existência, mais o vazio em seu peito clama por Deus. Mais necessidade ele tem de uma resposta significativa, de um por quê e de um pra quê que nenhuma teoria ou "ciência" consegue suprir. Ainda assim, ninguém teve a coragem de anunciar a "morte" de Darwin! Ninguém teve a honestidade intelectual e moral de reconhecer que, de fato, tudo não passou de uma vergonhosa mentira.

Mas não é especificamente disso que eu quero falar. O que eu quero dizer é o seguinte: quando analisamos o ser humano, percebemos que não há diferenças. Somos pessoas e pronto. Cada um com suas peculiaridades culturais, territoriais, etc, mas todos, no fim das contas, com os mesmos medos, anseios, capacidades e necessidades. Uns mais habituados a certas tarefas e artes, outros mais habituados a isso ou àquilo e por aí vai.

Quando penso nessa decrepitude moral do homem, sinto saudade. Sabe aquela saudade de uma coisa que você não viveu e nem conheceu pessoalmente? Pois é. Eu tenho saudades dos heróis. Não digo os heróis de histórias em quadrinhos. Esses são patéticos. Digo heróis como Lincoln, Churchil, o rei Davi, Henrique V, Moisés, etc. Estão extintos. Não existem mais homens de fibra. Não existem porque não são mais necessários. E não são necessários porque não há mais, neste mundo, lugar para indivíduos. Há espaço apenas para o coletivismo sem rosto, sem coragem e sem vergonha na cara. Aliás, se o coletivo não tem cara, não é de se espantar que não tenha vergonha. E assim, os protagonistas da história passaram a ser raças e não seres humanos. Os protagonistas são, como convém à perversa mentalidade socialista, as classes.

Está aí um projeto de lei ridiculamente denominado Estatuto da Igualdade Racial: Inclusão da Nação Negra. Bom, já se nota que a igualdade racial, no entendimento desses bocós, dos quais o senador Paulo Paim, do PT, é porta voz, não é um fenômeno natural, mas uma concessão determinada por um estatuto. E mais: o povo negro, esteja onde estiver é, por si só, uma nação. Não está afeto a um território, a uma cultura, a uma identidade social. O povo negro não é parte, por exemplo, da nação brasileira. Eles são, simplesmente, a nação negra.

Pois é. Essa aberração propõe que 20% das vagas no mercado de trabalho, nas universidades e no serviço público deva ser destinada aos negros. São as tais cotas raciais. A pessoa que se declarar negra poderá ocupar uma dessas vagas pelo único e indiscutível mérito de... ser negro! Mas, se pensarmos bem, isso é coerente com o sistema de valores do PT. Lula é o ícone máximo disso. É o maior exemplo de que qualquer um pode subir na vida e vangloriar-se de seu maior mérito: o fato de ter subido na vida sem mérito algum. Pois é isso. Os que se reconhecerem como "classe desfavorecida" terão o direito a 20% das vagas oferecidas em escolas e no mercado de trabalho. O resto das vagas serão disputadas pelos demais negros, brancos, índios, mulatos, asiáticos, esquimós, marcianos e quantos mais houver.

Sim, senhores, a segregação está institucionalizada. Negros são, agora, um povo à parte. Foram definitivamente excluídos pela idiotice oficial. Mais uma das pérolas de sabedoria social do PT.

Eu não creio que os negros necessitem ou queiram as esmolas desses pretensiosos proprietários da justiça social. Os negros, como qualquer outra "classe", são capazes, embora os politicamente corretos teimem em negá-lo. Essas odiosas ideologias se julgam as igualadoras dos direitos. Mas isso não é direito, isso é privilégio. Ninguém precisa de privilégio quando as capacidades são equivalentes. Por que os senhores politicamente corretos, não assumem de uma vez, portanto, que consideram os negros uma raça inferior? Lima Barreto, Machado de Assis, Cruz e Souza, Pelé, José do Patrocínio, são apenas alguns dos maiores brasileiros de todos os tempos. Indiscutivelmente. E são negros. Nenhum deles nunca precisou dessa benfazeja discriminação do Estado. Aliás, a partir de agora eles não são mais grandes brasileiros. São grandes negros, porque aos negros foi negado o direito de serem brasileiros, ou americanos, ou australianos ou seja lá o que for. Eles são, agora, afro-descendentes. Não pertencem a um povo. Pertencem a uma abstração ideológica, sem território, sem cultura, sem nada. Mas não tem problema, eles têm um Estatuto de Igualdade Racial.

Eu não vejo uma nação como uma reunião de diversas coletividades. Negros, brancos, mulheres, asiáticos, homens, jogadores de peteca, com cada um no seu quadrado. Não. Uma nação é a reunião de indivíduos sobre o mesmo chão, sob o mesmo céu e sob as mesmas esperanças. Mas querem nos convencer de que somos maus burgueses egoístas. Querem nos convencer, na marra, de que somos racistas. De que somos hipócritas, acima de tudo, porque não queremos aceitar a nossa necessária e inegável discriminação.

Por que, pergunto eu, separamos a raça negra, reconhecendo-lhe privilégios e discriminando a forma de atuarem no cenário social e consideramos tão animalesca a atitude de Hitler que não fez mais do que fazer a mesma coisa com a raça Ariana? Isso sim é hipocrisia. Desde que uma raça é separada do resto da sociedade, recebendo direitos e privilégios específicos, todas as outras "raças" devem receber o mesmo direito. Não poderemos, a partir desse precedente, negar direitos exclusivistas aos neo-nazistas, com suas idiossincrasias perversas, por exemplo.

O grande problema percebido quando da aplicação de uma política de cotas, não é a diminuição de vagas universitárias a serem disputadas pelos demais brasileiros. Isso não é nada, já que as universidades brasileiras não passam de um engodo sem vergonha. Não ensinam nada e não têm o menor compromisso com a verdade científica ou moral. São apenas um mecanismo utilizado para desconstruir a estabilidade social e institucional da nação brasileira. Nossas universidades são um reduto da propaganda marxista pela via gramsciana. São o quartel general dos revolucionários continuadores da revolução social.

O grande problema é que quando políticas desse tipo recebem acolhida tão ingenuamente crédula das pessoas de boa fé, percebemos que a sociedade já atingiu uma anomia, talvez, irreversível. Já não pensa. Já não se pensa. Já perdeu os valores que a moviam em busca do bem geral. Já abandonou as próprias verdades e entregou-se à servil e cômoda condição de rebanho, tangido ao sabor da ideologia do momento. E assim, caímos num círculo vicioso. Se não há mais noção da diferença entre perversões e valores, não haverá indivíduos que possam defendê-los. Sem indivíduos pensantes, não haverá quem tenha percepção moral a ponto de levantar a bandeira do bem, qual paladino dos valores e verdades universais. 

A própria palavra verdade, aliás, adquiriu, na mente desses zumbis formadores da sociedade atual, um tom petulante de elitismo hipócrita no cenário politicamente correto que nos envolve. Tudo, hoje em dia, é relativo. O bem não importa. O mal muito menos. O que importa é a síntese surgida do confronto dialético-hegeliano entre opiniões. E as opiniões reinantes são inofensivas. Estão todas inseridas no mesmo cabedal ideológico pervertido. 

Gostaria de crer que um futuro melhor nos aguarda. Deveríamos pensar assim, caso pudéssemos crer na teoria evolucionista. Mas, como disse Ângelo Monteiro, Darwin se surpreenderia ao perceber que, hoje, o homem parece "evoluir" em direção ao macaco. 

Se não me desespero com tal constatação, entretanto, é porque sei que essa é a tendência natural do ser humano. Criados à imagem e semelhança de um Deus perfeito, regrediremos cada vez mais à medida que nos afastamos dAquela origem. Afastados dO Bem, só podemos "evoluir" na prática do mal. Nada poderia ser mais coerente. Se o mal nos denigre é porque havia algum resquício daquele bem em nós. E o bem não é um simples princípio nem uma força. É uma pessoa. Um Deus pessoal. E só há redenção possível na medida em que nos voltarmos aos princípios estabelecidos por esse Deus.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Um animal como qualquer outro


Poucas coisas na história da humanidade são tão perversas quanto a teoria da evolução. Ela dá oportunidade a toda e qualquer desumanização do homem. A toda e qualquer ideologia maluca baseada numa falsa antropologia e justifica qualquer política segregacionista. Segundo as hipóteses levantadas por Darwin, o homem não passa de um animal. Sim, um animal que teve a sorte de, acidentalmente, se desenvolver mais do que os demais. Um animal sem motivo, significado ou sentido.

Em consequência disso, paira, hoje, sobranceira, a ideia imbecil, na cabeça dos desestruturadores da sociedade, de que o homem é o mais estúpido dos animais. O mais denegrido dos seres viventes e, assim, levantam as mais estapafúrdias bandeiras políticas e ideológicas.

Tenho lido, repetidas vezes, em sites de relacionamento, a seguinte citação, atribuída a Chico Xavier: "Nós, seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar. Portanto quem chuta ou maltrata um animal, não aprendeu a amar." Ora, eu achei esta, uma das frases mais estúpidas que alguém já foi capaz de dizer ou escrever. Senti, na verdade, uma constrangedora vergonha alheia, acompanhada de um nojo social. Quanta cretinice!

Alguns crêem ter sido, Chico Xavier, um porta-voz da paz e um estandarte do cristianismo e do amor. Não é o que me parece. Analisemos a frase: ela é exclusivista e declara que a nossa função no mundo se resume a "auxiliar o progresso dos animais". Segundo ele, é para isso que estamos no mundo. Bom, então tá aí o sentido da vida! Está decretado, portanto, o fim do vazio existencial, de todas as depressões e de todo o spleen moderno. Chico Xavier, um homem que, segundo creio, acreditava ao menos na existência de Deus descobriu o sentido da existência e vaticinou que a função do homem é auxiliar o progresso dos animais! Deus teria criado os animais e, depois, criou o homem em função deles... Não sei, mas esta me parece uma teoria meio desumanizadora.

Eu, quando ainda criança, ouvia dizerem, jocosamente, que na modernidade as grandes fábricas seriam compostas de muitas máquinas, um homem e um cachorro. As máquinas fariam o trabalho, o cachorro tomaria conta das máquinas e o homem serviria pata dar comida ao cachorro. Eu achava que isso era só uma piada. Desejei que fosse. Não imaginava que alguém, algum dia, seria capaz de sustentar, de fato, essa ordem de valores.

Senhores, esta é uma questão moral. A desvalorização de tudo o que já foi, um dia, caro ao homem, sua arte, seus sentimentos, seu ethos, sua humanidade, em suma, é o prenúncio da nossa derrocada como seres éticos e morais. É a admissão de que fizemos a nossa escolha entre o bem e o mal, e erramos feio, nessa escolha. Sim, senhores, existe o bem e existe o mal. Não há meio termo.

Assim diz o verso 26 do 1º capítulo do livro de Gênesis: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra." E depois, no verso 28: "E Deus os abençoou (ao homem e à mulher), e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus e sobre todo o animal que se move sobre a terra."

Esta é a ordem das coisas. Estes são os valores. Mas, se toco neste assunto, não é simplesmente por causa de uma frase. É por causa de uma tendência. Por causa do que essa frase representa. Tanto que pessoas a têm citado com intenções moralizantes! Como se, de fato, a moralidade de um povo se medisse simplesmente pelo grau de "auxílio" que ele dispensa aos animais.

Vejamos, então, as implicações de uma declaração como essa, feita por um "cristão", como dizem ter sido Chico Xavier: O homem, criado à imagem e semelhança de Deus não seria mais valioso ou importante do que um animal. A existência humana apenas teria valor na medida em que ele servisse de auxílio ao desenvolvimento dos animais. Agora, pergunto eu: que tipo de desenvolvimento? Que tipo de progresso? De onde foi tirada essa ideia de que animais progridem? Progridem como? Socialmente? Biologicamente? De onde veio esse absurdo? E mais: Deus, então, não seria tão superior assim, aos animais, já que o homem, criado a Sua imagem e semelhança, não é, por sua vez, a eles superior!

Uma pessoa que maltrata qualquer ser vivente é, sim, uma pessoa má e insensível. Um perverso insano. Entretanto, não confundamos as coisas. O homem mais nobre, hoje, passou a ser aquele capaz de amar os animais. O homem mais nobre passou a ser aquele que ignora seu irmão faminto, mas gasta todo o tempo e energia e dinheiro em defesa dos cachorros de rua ou das baleias. E sabe por quê? Porque os homens são personalidades complexas e difíceis. Sim, Cristo, se quiser, que morra por eles. Nós, hoje em dia, devemos nos matar pelos animais. Eles não têm desejos em conflito com os nossos. Eles não nos desapontam e não nos causam inveja ou despeito. Sendo assim, é mais fácil amá-los.

Se é perverso aquele que maltrata um animal, também o é aquele que trata um cão, um gato ou um porco como membro da família, merecendo a mesma quantidade e o mesmo tipo de amor que os filhos. Pessoas ricas e desequilibradas promovem festas de aniversário para seus animais de estimação e despendem verdadeiras fortunas com caviar! e outros quitutes que tais, para seus pobres animaizinhos!

Enquanto isso, nós estamos vendo os promotores e militantes do aborto lamentarem, indignados, a derrota no documento final da infame Rio+20, porque não conseguiram promover, mundialmente, a ideia do aborto como medida de desenvolvimento sustentável. Sim, senhores, agora, a moda é promover a extinção da humanidade em benefício do planeta! Nas primeiras reuniões do Clube de Roma, já se declarou: "A terra tem um câncer, e o câncer é o homem".

Pois é. Em prol dos animais e dos rios e dos ornitorrincos, matemos nossas crianças. Em prol da sustentabilidade, acabemos de vez com a humanidade, essa doença perniciosa que, por um erro da natureza, de bom primata, veio a se tornar esse monstro racional.

Cristo, no entanto, se é que Ele ainda merece algum crédito no mundo moderno, nos ensina: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." (João 15:12 e 13) Mas é difícil amar aos nossos amigos. Eles nos magoam. O amor que conhecemos não é o amor divino, porque estamos afastados de Deus. O amor que conhecemos é o amor utilitarista, que precisa de algo em troca. Amor que só ama a quem faz por merecer. Amemos, pois, os animais. Eles são fofinhos.

Bom, meu amigo, eu só conheço duas visões de mundo possíveis: a teoria evolucionista, pseudocientífica, cética, naturalista, recentíssima e absurda, pretensiosa e falha, ou a teoria criacionista, humilde, coerente, simples, humana e teocêntrica, com mais de quatro mil anos de existência. A primeira, entretanto, prevalece, haja vista a doutrinação por que passou a humanidade a partir, principalmente do século XVIII, com os iluministas e XIX, com Marx, Malthus, Darwin, Lamarck, etc.

Pois sim. Hoje o homem não passa de um animal como qualquer outro. Aliás, um animal pior que qualquer outro, porque perverso e pernicioso que apenas destrói o mundo.

Eu imagino que esses materialistas, proponentes do fim dos valores e do extermínio da humanidade, se não se tratam de fato, de loucos desvairados, têm noção de que eles próprios são seres humanos. Pergunto então: se eles próprios são infelizes e terríveis animais denegridores do mundo, como podem ser tão caras de pau a ponto de se arrogarem o direito de declarar alguma coisa em matéria de ética ou comportamento?

Eu não me rendo à moda e nem à ideologia que propagandeia um mundo melhor construído pelo homem. Eu não creio em papai noel. Não, essas ideologias, nem de longe, pretendem um futuro melhor. Pretendem, isto sim, o fim da família, da moral e da civilização. A humanidade é perversa sim, mas não por causa dos animais que sofrem, pois as pessoas também sofrem e não têm quem, por elas, chore. Então não diga que seu irmão é mau porque faz sofrer um animal qualquer. Seu irmão sofre muito mais por causa de você.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Beleza


Ainda sobre postagens no Facebook,  minha prima Paula postou, ontem, um trechozinho do conto Campo Geral, de Guimarães Rosa. Um conto absurdamente belo. Não apenas bonito, mas belo. Sublime. Absurdo, enfim. Não vou tecer comentários a respeito do conto porque não me julgo digno disso. Quero mesmo é falar um pouco sobre a beleza, tarefa para a qual, aliás, também me julgo indigno.

A releitura do trecho citado despertou-me algumas questões. O que é, de fato, a beleza? É algo que está na nossa percepção apenas? É mero resultado da nossa intelecção ou é algo que está efetivamente no objeto apreciado? É objetiva ou subjetiva? Ela serve para alguma coisa ou é simplesmente uma distração inventada pelos sentidos para nos ludibriar e desviar nossa atenção das reais feições carrancudas da vida? Em que, afinal, consiste a beleza?

Não tenho, é lógico, a intenção de responder cientificamente a nenhuma destas questões. Pretendo apenas meditar e levantar possibilidades. Não quero convencer ninguém nem mudar opiniões. O que eu quero, na verdade, é descobrir o que penso a respeito.

Antes de tudo, quero deixar claro que eu acho a beleza algo fundamental. A beleza em si mesma. Não falo das coisas belas. Repito: eu acho a beleza fundamental. Não a considero um mero acidente. Considero-a um atributo das coisas criadas. Sim. Não admito que a beleza seja obra do acaso, como muitos acreditam que seja a própria vida. Acredito que as coisas são criadas. Há um design inteligente. E a beleza é um atributo levado em consideração nesse design.

O homem sempre se sentiu, é óbvio, intrigado diante da beleza. Platão acreditava no belo em si. Uma essência ideal à qual as coisas existentes imitavam. Um padrão de julgamento, digamos assim. Ou seja, a beleza está nas coisas, que seriam a representação de um ideal. As coisas imitariam uma "forma" ideal, que segundo cria Platão, era inalcançável.

C.S. Lewis, pelo que vi em "A abolição do homem", também acredita que a beleza seja um atributo presente nas coisas. Outros, como Aristóteles ou David Hume, por exemplo, relativizam a beleza e consideram-na apenas uma impressão humana. Algo meramente subjetivo. E quando falamos em beleza, segundo eles, não falamos senão de nossos sentimentos sobre alguma coisa. Apenas isto.

É interessante. O homem secular, cético e racionalista é uma criatura cretina mesmo. Ao mesmo tempo em que se destrona do privilegiado posto de obra artística divina, criada com um propósito, relegando-se à categoria de ameba evoluída ou de macaco último modelo versão turbinada, considera-se, ao mesmo tempo, o suprassumo da inteligência espiritual, capaz de criar uma sensação de beleza pra lhe arrefecer os terrores da vida real.

Ou seja: para estes, a beleza é uma ilusão. Uma válvula de escape criada pelo universo ou pela força evolutiva, ou por sabe-se lá que inteligência, para tornar a existência mais palatável. Para eles a existência não possui o menor sentido, visto que é um fim em si mesma. O homem é um nada no tempo e no espaço, que surgiu sem motivo e será extinto sem que, no futuro, subsista qualquer lembrança da nossa existência. O universo não será alterado em nada, pela nossa existência. Simples assim. Viemos do nada e para lá voltaremos.

Pergunto eu, então: Pra que existe a beleza? Pra que os sentimentos se no fim das contas não faz diferença? Não seriam uma mera tortura, um defeito evolutivo, esses motivos para nos apegarmos à vida, já que a função da vida é simplesmente nos levar à morte? À não existência absoluta? Não sei, mas para mim esse raciocínio é meio idiota.

Eu acredito na beleza. Na beleza em si, não como ideal inalcançável. Como forma ideal de todas as coisas, como queria Platão. Não. Acredito na beleza como um valor, um princípio comparável à verdade e à bondade. A beleza como um atributo da inteligência. Da criatividade. A beleza cuja importância foi destacada pelo arquiteto do universo. A beleza que nos eleva. Que nos enleva! Que torna o mundo melhor e que nos torna melhores, em consequência. Sim. Como diria Vinícius: beleza é fundamental.

Sempre que falo de beleza a arte me vem à mente, como não poderia deixar de ser. Sim, a beleza é o motivo da arte. Mas como se explica então o que muitos "intelectuais" têm chamado de arte, coisas sem sentido, desde o início de século XX, quando um francês retardado chamado Marcel Duchamp assinou um urinol com um pseudônimo e expôs aquilo como obra de arte? Como explicar que as pessoas acreditaram nisso? E o que é pior: desde então a "arte" vem se degenerando em obras bizarras e estapafúrdias, levantando exclamações de espanto fingidas de admiração. 

Só pode haver uma resposta. O homem é um suicida espiritual. O homem é, por natureza, mau. O homem tem a necessidade de destruir tudo aquilo que pode redimi-lo. Tudo aquilo que pode trazer esperança. O homem é perverso e, em si, não pode haver qualquer tendência para o bem ou para nada que seja belo. Quanto mais ele se afasta de sua origem divina, mais ele se apega ao feio e desconcertante. Basta compararmos, por exemplo, a Suite nº 1 para Violoncelo, de Bach, com qualquer "música" dodecafônica dissonante de Schoenberg. A primeira nos faz sonhar. A outra nos exaspera, nos assusta e nos incomoda.

Desde o nascimento dessa "arte" sem sentido a humanidade tem se especializado numa maldade cínica. Num ceticismo ridículo e rude. Nega todos os valores. Descrê todos os princípios. Transmuda os reais focos de importância para a vida. A arte não mais almeja a beleza. Ela quer, agora, perturbar e quebrar os tabus morais. Assim, a arte que, quando expositora da beleza, fora um remédio contra o caos e o sofrimento, passa a ser, agora, um veneno que termina por matar o doente, acrescentando-lhe mal-estar e desesperança.

Olha aí alguns exemplos dessa "arte" pós moderna e veja se isso não é obra de um completo retardado:



Comparemos a "arte" acima com o rosto pintado na obra o Nascimento de Venus, por Botticelli:


Ou com uma pintura impressionista de Monet:


Senhores, admiradores da feiura, sinto muito informar-lhes, mas o rei está nu. Vamos acabar com a palhaçada. Deixem de fingir admiração diante de uma lata de bosta ou de uma tela suja de tinta. Elas não passam de uma lata de bosta e de uma tela suja de tinta. Não se tornaram arte porque alguém assim os chamou. Isso não é belo. E não me venham com essa de mostrar o mundo como ele é. O mundo não precisa ser mostrado como ele é, pelo motivo óbvio de que ele já É do jeito que é. Ele se mostra a si mesmo.

Precisamos mesmo é da beleza. A beleza que colore flores e quintais. A beleza que alegra uma criança despreocupada. A beleza utilizada prodigamente por Deus no design universal. A beleza de uma vida apaixonada. E principalmente o deleite de viver com a esperança que, em meio a esse mundo feio e mal cheiroso, só a beleza pode nos dar.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Vidro quebrado



Acabo de ler no mural do Facebook de uma menina, a seguinte pérola de sabedoria: "Relacionamentos são como o vidro. Às vezes é melhor deixá-lo quebrado do que se machucar tentando consertá-lo." Logo abaixo outra menina comentou: “Fato”. Então eu fiquei pensando: Mas que coisa profunda! Mas que prova de maturidade! E, em seguida, a esse arrebatamento de ironia, tive ímpetos irados de desconsolo diante da boçalidade da juventude atual, tão vazia de valores e tão cheia de si mesma.

Esse é o tipo de sabedoria cretina que se encontra nos livros de Paulo Coelho e que tem acometido os “intelectuais” de encomenda. Sabedoria de adolescente irresponsável. Sabedoria ao estilo Legião Urbana. Sabedoria que cria uma imagem e vive dessa imagem, mesmo que ela não tenha conteúdo ou o que é pior, que ela tenha um conteúdo imbecil e desmoralizante. E como isso é grave!

Tenho me perguntado sempre: o que aconteceu com a família? O que aconteceu com o casamento? O que aconteceu com os namoros ou até mesmo com as amizades? Será que essas são instituições falidas? Será que tudo isso foi uma balela criada para domesticar o homem? Será que esses valores, que serviram durante tanto tempo para fazer florescer o que de mais humano existe em nós, hoje em dia já não servem mais pra nada? Vamos pensar um pouco e analisar os fatos. É uma coincidência enorme que, uma vez derrubados esses princípios, a humanidade tenha se embrenhado de forma tão desesperadora num niilismo estupefaciente. A humanidade, hoje, anda sem rumo pra lá e pra cá numa correria sem sentido. Não sabe para onde vai, mas sente que não pode parar. E está claro. Todo o sentido foi minado pela indolente sabedoria de conveniência.

Sim, tudo aquilo que dependa de relacionamentos perdeu a capacidade de nos tornar melhores. Não nos preocupamos mais em investir o melhor de nós nesses relacionamentos. Não queremos ser melhores em prol dos relacionamentos. Esperamos, isto sim, que os nossos relacionamentos nos presenteiem com os maiores prazeres que o mundo pode oferecer. Com uma vida linda e prazerosa, caída do céu.

Ah, mas que coisa! Eu fico, mesmo, admirado. Então, segundo essa mais nova sabedoria, é melhor deixar nossos relacionamentos quebrados, fingindo-se de vidraças, quando na verdade, eles não passam de um amontoado de cacos de vida. Sim, segundo a nossa juventude, é melhor, que seja assim, porque a gente pode se ferir, se tentar consertar e, é claro, ninguém quer se machucar. Então vamos vivendo assim mesmo, com nossa vidraças quebradas. Deixa assim mesmo. Até porque, se a gente conseguir consertar, um dia ela acaba se quebrando de novo, pois a vida tem dessas coisas, ela quebra as vidraças da gente.

Na verdade, amigo, o problema é o seguinte: a vida não quebra nossas vidraças. Somos nós que as quebramos ou, no mínimo não cuidamos para que elas não se quebrem. A vida é apenas a oportunidade que Deus nos deu de cuidarmos bem das nossas vitrines. Somos nós que a construímos, dia após dia, com nossas atitudes. Nossa sociedade irresponsável, hedonista, viciada em prazer e bem estar, entretanto, não admite que a vida seja uma responsabilidade pessoal. Não admite que a vida é uma questão de atos e não de fatos. A vida não é algo que acontece fora da gente e que implica, na maioria das vezes em injustiças contra nós. Não. A vida é tudo aquilo que a gente faz ou deixa de fazer. A maioria das pessoas se sente injustiçada pela vida, e não assume que quem viveu de forma esculhambada foram elas mesmas e, assim, nada mais podem fazer, senão se lamentar.

É verdade. Consertar vidro quebrado é algo complicado que pode nos causar alguns cortes e arranhões. Mas veja bem como são as coisas: ninguém deixa uma vidraça quebrada, seja numa vitrine ou na janela de casa. Mas quando a imagem dessa vidraça pode ser usada para justificar um comportamento irresponsável, ela é usada da forma mais inconsequente.

Entre ter uma vidraça quebrada ou não ter vidraça nenhuma, eu opto pela segunda. Uma vidraça quebrada é a coisa mais perigosa que pode haver. Ela pode se desfazer em cacos de repente e, aí sim, causar danos devastadores. Machucam-se todas as pessoas que se encontram próximo. E as feridas são incomparavelmente mais graves.

Da mesma forma, minha querida amiga do vidro quebrado, pense bem: se você não quer consertar o seu relacionamento, não tenha relacionamento nenhum, porque, de fato, você pode mesmo, se machucar, tentando consertar as rachaduras desses relacionamentos, mas depois as cicatrizes vão te mostrar que você venceu e hoje seu relacionamento é uma coisa transparente e segura, do qual você pode cuidar, mantendo limpo e intacto, como o vidro. Não, prefira não ter relacionamento nenhum, pois, caso você decida não arriscar e acabe deixando o seu relacionamento rachado, terá sempre, no próprio relacionamento, a prova pública do fracasso e da ilusão que é a vitrine da sua vida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Na Corda Bamba



Quem anda na corda
Do braço de pau
Da viola do sonho
Não sonha normal.

Sua vida é dançada.
Balança na corda
E no som cambaleia
Sua sentimental
História cantada,
E escrita na areia
Do chão musical

Cantando ele acorda
Com uma cara de pau
E se joga na vida
Que a vida é real

Com a viola nas costas
Vai pela cidade
Que nem capiau
Vai na corda bamba
E, cantando seu samba,
Semeia a saudade
Que traz no embornal.

* Homenagem a Alex Alves Lemos por ocasião de sua formatura em música e pelas suas violagens avulsas, sempre acompanhadas de muito papo bom e de algumas "verdades" que se esqueceram de acontecer.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Saudade de meu bem


Eu sei que já estamos em Janeiro
Janeiro já é mês de ano que vem.
Só eu que ainda vivo no passado
Sentindo essa saudade de meu bem.

Meu bem é a menina mais bonita
Que mora no jardim do coração
De um bobo apaixonado e que agora
Não vai mais resmungar de solidão.

Por mais que essa saudade ainda exista
No peito deste bobo que vos fala,
Meu bem é uma saudade divertida
Que brinca de ferir... mas depois sara.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vai aí a sugestão de leitura: Blog Textículos de André, do meu amigo André Nascimento, autor, também, do livro Insanidade e Coração (imagem acima). http://texticulosdeandre.blogspot.com/

sábado, 17 de dezembro de 2011

Lei da Palmada



Por julgar impublicável a expressão com que gostaria de iniciar este post, suprimo a palavra indelicada e começo assim mesmo: Logo chegará o dia em que o Estado ... nossas mulheres! Eis aí a expressão. Complete, o amigo leitor, como preferir. Os mais delicados usarão palavrinhas sutis ou insípidas, mas os de espírito forte e paciência curta usarão palavras mais ou menos próximas do que eu, realmente, gostaria de dizer. 

Você conhece a história de Victor Frankenstein. O médico suíço que dá vida a uma criatura monstruosa e gigantesca que, posteriormente inferniza a vida do criador até à morte. O grande problema levantado na obra é essa relação entre criador e criatura. Entre o ser humano e o monstro com peculiares sentimentos próprios.

Pois bem, se você conhece a história não será difícil traçarmos essa linha paralela entre a ficção e a vida real. Não é preciso ler Hobbes pra que entendamos que, para ele, o Estado é essa criatura a que os homens, imitando a natureza, deram uma vida artificial. Essa criatura monstruosa que desfruta de meios e mecanismos de controlar a vida dos homens entre si. 

O Estado foi crescendo, tomando força e, assustadoramente, de criatura da humanidade, vem adquirindo status quase divino. Vem se tornando um deus em prol de quem os homens devem viver. Que os papéis foram invertidos, todos podemos ver e, se não vemos é menos por cegueira do que por falta de sensibilidade moral. 

Atenhamo-nos à mais nova pérola legislativa com que nos brinda a nossa hiper-pensante classe política: A lei da Palmada.

Primeiramente vamos analisar as reais necessidade e conveniência desse dispositivo. Uma lei que puna ou "reeduque" os pais que usem da sanção física com a intenção de castigar um filho. Para usar palavras do próprio projeto, a lei prevê punição para "castigo corporal ou tratamento cruel ou degradante". Lindo, lindo, lindo! Que coisa maravilhosa! Que humanismo! Que responsabilidade social... Que merda!

Na verdade, o que é cruel? O que é degradante? A palmada? Segundo o projeto, sim. Mas, caro amigo, os conceitos são delicadamente perigosos se tomados apenas como idéias levantadas com a intenção de suscitar uma reação sentimental qualquer. Já disse Hobbes, aquele mesmo, do tal Leviatã, a quem já me referi, que não pode existir mentira nas coisas. Não. Verdadeiro e falso são atributos da linguagem e não das coisas. Dos símbolos que usamos como representação racional, e não dos objetos. Para se prescrutar, portanto, a verdade das coisas em relação umas com as outras, é preciso ter certeza de que as primeiras definições estejam corretas. É como numa equação matemática, onde, para alcançarmos o resultado correto no fim, precisamos ter certeza de que todas as continhas mais simples estejam corretas. Senão, chegaremos, certamente, a um resultado, mas não ao resultado correto. Sim, o erro também é um resultado. Assim, no decorrer da equação onde se encontra um pequeníssimo erro, vamos nos afastando cada vez mais da verdade e, onde pensamos estar adquirindo uma grande quantidade de sabedoria, estamos, na verdade, nos embrenhando na loucura.

Então, voltemos ao cruel. A palmada, segundo o projeto, é cruel. A palmada que dá no filho a quem ama, um pai que já esgotou todos os recursos racionais. Que já dialogou, que já demonstrou a relação entre causa e efeito, que já teceu uma ladainha a fim de demonstrar que os atos de hoje implicam na formação das relações e do homem de amanhã. Isso, segundo o projeto, é crueldade.

Mas direi da crueldade, segundo o meu entendimento. É isso mesmo: o meu entendimento. Não consultarei dicionários etimológicos ou de definição. Não buscarei tratados de psicologia ou fisiologia. Não é preciso. Eu já tomei atitudes e assisti a eventos, durante toda a minha vida infantil ou adulta, que me ensinaram de maneira incontestável o que é a crueldade. E entre todos os exemplos possíveis, excluo, de pronto, a palmada como algo definível como ato cruel. Nem tão pouco degradante. 

Atitudes cruéis e degradantes para com um filho são, antes, a permissividade, a negligência, a indiferença, a depreciação e o desrespeito à personalidade da criança que, embora não despertem a menor comoção, são muito mais comuns e incomparavelmente lesivos ao caráter de um ser humano que se forma.

Vejamos bem: o texto pretende sujeitar os pais "infratores" a penas socioeducativas e ao afastamento dos filhos. Mas, senhores, já existem leis bastantes que punem a violência. Já existem leis para punir a violência doméstica, já existem leis que punem a violência específica contra a criança e o adolescente, já existe previsão no Código Penal, que pune os maus tratos e o "castigo imoderado", estes sim, praticados por pessoas desequilibradas. Existe a previsão até no Código Civil, que prevê o afastamento do lar, do pai ou mãe que castigar o filho imoderadamente. Então, resta, irrespondida - embora eu não tenha certeza da existência da palavra "irrespondida" - a pergunta: qual o motivo desse projeto de lei?

Senhores, o que se pretende coibir, com o presente projeto de lei, está claro, não é a violência. Não é a crueldade. O que se pretende é tirar dos pais o último meio de, após esgotados todos os recursos de estímulo ao auto-governo, à auto-disciplina e à auto-correção, ensinar a um filho que, no fim das contas, já que ele não usou os freios internos de maneira intencional, sofrerá, como consequência, as sanções externas contra uma atitude desaprovada. É simples como dirigir um veículo. Quais as duas maneiras de parar um veículo que se dirige, desgovernado para um precipício? Um interna, com o acionamento dos freios, que é a ideal e uma externa, colocando-se um obstáculo em seu caminho. A diferença é que a primeira é uma atitude de auto-governo e não causa o menor dano. A segunda é um exemplo de diminuição de danos. Causa sim, algum dano, alguma dor, algum susto, mas impede o veículo de despencar no buraco e demonstra, ao motorista, que seria melhor, da próxima vez, usar os freios.

Amigo leitor, o nome dado à lei é sugestivo e desvenda as reais intenções do projeto. Por isso repito: Pais que amam não espancam seus filhos, assim como pais desequilibrados não dão  simples palmadas. Não estamos, então, com esse projeto, impedindo os pais violentos de espancarem seus filhos. Já existe previsão penal para isso em outras leis. Estamos, isto sim, impedindo os pais que verdadeiramente amam os filhos, de lhes aplicar sanções educativas. 

É triste assistirmos, calados, a não mais um passo, mas um grande salto ser dado pelo Estado, rumo ao desmantelo da família. O Estado, irresponsavelmente intervencionista, desautoriza os pais de boa fé, primeiro exemplo de autoridade que as crianças terão na vida.

Voltemos a falar de  violência, essa palavra que usamos, por uma falha linguística, para definir todo ato que nos cause um susto, uma dor ou uma sequela. Palavra viciada. Entretanto, nem todo ato físico nasce da violência. Nem todo susto é violento e nem toda dor causa sequela. O Estado, pra começo de conversa, é uma personalidade jurídica soberana que tem a prerrogativa do exercício legal da violência para conter e manter um povo em unidade. Ora, se todo ato, por falta de palavra que o defina melhor, considerado violento, fosse mau, exterminemos o Estado, por sua atividade policial. Por sua atividade bélica! 

O grande Leviatã, assim como a criatura do dr. Frankenstein, se reserva o direito de oprimir o criador em função de seus caprichos. O Estado, considerado por Hobbes uma "pessoa", torna-se um deus irado e obcecado por fiéis adeptos prostrados diante de si. 

Ah, e vejam que coisa interessante: eu estava assistindo a uma entrevista com uma pedagoga, esses dias, e a danada disse que a principal função dessa lei é despertar uma discussão. Levantar o problema. Ora, bolas: levantar um problema? Despertar a discussão? Precisa fazer uma lei pra isso? E mais. Ela disse que o que acontece é que o mundo está mudando mas nós não estamos aceitando as mudanças. Que nós estamos resistindo às mudanças! Olha pra você ver quanta coisa a gente é obrigado a suportar! Ô, minha senhora, mas o mundo é um troço inanimado. Estático. Como ele pode ter mudado, nos deixando atrasados no tempo? O mundo, senhora pedagoga, sem os seres humanos, é feito de coisas e, até onde se sabe, as coisas não são inteligentemente automatas a ponto de gerarem uma mudança. A ponto de evoluírem socialmente. Assim sendo, dona pedagoga, o mundo só pode mudar se a sociedade o fizer. Se existe uma resistência a essa invasão do Estado nos lares, é porque essa mudança não aconteceu. A sociedade não mudou nesse sentido. Portanto, não me venham com essa de impor mudanças pelas nossas guelas abaixo, pondo, para isso, a culpa no mundo evoluído. 

Senhores, essas ditas mudanças estão sendo impostas por uma cambada de tecnólogos vendidos e imbecis, que não têm a menor capacidade moral de compreender a vida em sociedade. Senhores tecnólogos, cretinos idiotas, vocês não são "o mundo". Só quem mudou foram vocês. Nós, por nossos princípios, vamos muito bem obrigado e não precisamos das suas mudanças.

Vejam como é raso o raciocínio da eminente pedagoga: Num determinado momento ela disse que uma criança de quatro ou cinco anos já é capaz de compreender toda essa tecnologia que nos cerca. Sabe operar um computador, um celular, um aparelho de tevê, etc. e, sendo assim, ela também é capaz de compreender o diálogo. Ora, mas que descoberta! Essa senhora é um gênio! Acaba de descobrir a roda. Mas é lógico que uma criança tem capacidade de entender o diálogo. Ninguém, minimamente responsável, prega a substituição do diálogo pela sanção física. A palmada é o último recurso, quando o diálogo e todos os outros não foram bastantes para desencorajar ou corrigir um comportamento inadequado. É a materialização da consequência indesejada de uma atitude desaprovada. E a consequência deve ser, mesmo, indesejada.

A diferença é que esses tecnólogos, entre os quais a insigne pedagoga, acreditam que, pelo simples fato de compreenderem o diálogo, as crianças já tenham maturidade e auto-controle para se comportarem de uma maneira ideal, convencidos apenas pela compreensão racional. Pois se nem nós adultos a temos! Esse bando de estúpidos não entende minimamente a sociedade em que vive! O ser humano, tecnólogos, é por natureza, recalcitrante e obstinado. Precisa aprender a se submeter às leis e normas.

A burrice geral é tão grande que ofusca a vergonha. Temos visto políticas tão idiotas, que às vezes nos perguntamos onde foi parar a vergonha dessa gente. Quer um exemplo? Sabe como chamamos o sistema prisional de menores infratores? Sistema socioeducativo! Sim senhores, sistema socioeducativo! Ora, amigo, que troca de valores é essa? Os únicos sistemas socioeducativos que eu conhecia, até pouco tempo, eram a família e a escola. Hoje não. São as cadeias. Daí a gente imagina qual é o tipo de educação que se pretende para o futuro deste país. A educação da cadeia. Da criança que compreende o diálogo mas não precisa compreender a relação entre causa e efeito naquillo que pratica. Que não precisa compreender a consequência dos seus atos.

A criança compreende sim, o diálogo, e se assim não fora, eu seira o primeiro a pedir a criminalização da palmada, pois sua eficácia reside justamente aí. Na compreensão de que aquela ação física, previamente anunciada é a consequência de uma atitude desaprovada ou efetivamente proibida. Se a criança não tivesse a capacidade de compreender o diálogo, a correção física restaria inútil, pois ela não saberia relacioná-la a sua atitude inopinada. Se a criança não tivesse a capacidade de compreender o diálogo, aí sim, a sanção física seria simplesmente um exercício que teria como finalidade única alimentar a sede de crueldade sádica que reina entre os espíritos deformados que permeiam nossa sociedade.

Senhores, eu levei muita palmada e sempre tive medo delas. Nunca me foram agradáveis. Nunca me fizeram sentir-me orgulhoso, mas é a elas e ao diálogo moral que agradeço a minha educação, se não perfeita, ao menos satisfatória. Esse pensamento independente, se não exato, ao menos responsável.

Não, amigos, o mundo não mudou. O que mudou foram os valores e os sentimentos que, se antes nos estimulavam à excelência, hoje nos prostram até a auto comiseração. Sejamos fortes e criemos, nós mesmos, nossas crianças. Nenhum monstro, Leviatã ou Frankenstein, pedagogo ou psicólogo, deputado ou bandido pode tomar a responsabilidade paterna que só pode atingir, aquele que age por amor. 

Repito: com tamanha invasão à nossa privacidade e ao nosso lar, não precisaremos, muito em breve, nos preocupar com métodos anticoncepcionais ou planejamento familiar, pois já está perto o dia em que, tomando a nossa família, o Estado ... nossas mulheres.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A gota d'água


Brasil e nação são duas palavras que não cabem na mesma frase. Há muito tempo que eu venho pensando nisso. Não. Nação é uma palavra muito forte. E Brasil é uma palavra indolente. Não, o Brasil não é uma nação. Também não sei o que é, mas não me venham falar em nação brasileira, que isso eu não engulo mais. O país do futuro? Pode ser. Desde que o futuro permaneça... no futuro.

De uns dias pra cá, minha caixa de e-mail e o mural do meu facebook têm sido abarrotados com links do vídeo da moda. Os artistas globais lendo um cartaz ou teleprompter, sei lá, com um ar de ironia, registrando o seu apoio à última nobre causa politicamente correta: A revolta pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará.

Ao assistir esse vídeo pela primeira vez, eu percebi, imediatamente, que alguma coisa não estava certa. Como é isso? Como é que pode esse povo condenar a construção de uma usina hidrelétrica no norte do Brasil? Na maior bacia hidrográfica do mundo! O local onde mais chove no país. Como pode haver protestos contra a construção de uma usina hidrelétrica num país onde há poucos anos sofreu-se o sério risco de apagão? Onde se racionou energia durante um bom tempo, porque as hidrelétricas existentes não foram capazes de abastecer o consumo industrial, comercial e residencial, de energia!

Mas parece que só eu percebi, ou poucos outros. A maioria da galera aplaudiu de pé. Todos estão repassando o vídeo, que já vem devidamente pensado. Não é preciso fazer considerações. Os atores da globo, que são muito mais bonitos do que nós, já as fizeram. Ora, é evidente que eles têm mais capacidade pra isso do que nós. Olha como eles falam! Não importa que estejam lendo, eles conseguem nos emocionar, então, não é necessário pensar! Então, repassemos o vídeo. Repassemos para o maior número de pessoas possível, porque essa é uma causa politicamente correta, assim como é politicamente correto subverter os valores morais da família brasileira através de campanhas em prol do aborto e do homossexualismo. Como é politicamente correto louvar grupos criminosos e terroristas como os mais nobres porta vozes do desenvolvimento social. Como é politicamente correto ser apenas mais um animal irracional, mas devidamente "politizado", no meio desse grande rebanho social.

Tudo bem, eu vou confessar. Eu não gostei do vídeo porque eu sou do contra. Fiquei com raiva porque me senti ofendido quando Marcos Palmeira, disse, irônico, que os problemas da não construção da usina de Belo Monte seriam a imposibilidade de eu "assistir televisão pra ver minha novela". Eu confesso. Foi por isso que eu não gostei.

Presta atenção, amigo! A mensagem do vídeo é mais do que clara. Sabe o que Marcos Palmeira, Cissa Guimarães e a outra lá que eu nem sei o nome estão dizendo? Eles estão dizendo o seguinte: "Ô, brasileiro, burro, alienado, fútil e egoísta, enquanto você tá aí preocupado em assistir sua novela, ligar seu computador ou seu ar condicionado, nós estamos aqui pra pensar por você e pra salvar o seu mundo. Nós sabemos que você não sabe pensar, porque sua vida simples se resume a tv, celular e computador, mas não se preocupe. Nós vamos te salvar, porque nós somos inteligentes, politizados e estamos conectados com o futuro." No entanto, os burros são eles. Estão sendo usados por interesses que não compreendem.

Meu amigo, eu tenho capacidade pra saber que uma usina hidrelétrica em Belo Monte, não seria construída pra resolver o problema do meu BlackBerry nem do iPad da vizinha. Nós não somos tão idiotas assim, Cissa Guimarães. Não. Nós precisamos de uma usina em Belo Monte porque o Brasil é um país industrializado. Porque a energia move o mundo. Porque existe uma enorme jazida de bauxita naquela região e a extração de alumínio demanda uma absurda quantidade de energia elétrica. Porque não é possível a um país crescer, sem uma produção de base, como a energética.

Sabe, amigo políticamente correto, quem é contra a construção da usina hidrelétrica? Você já procurou saber? Conforme relatório nº 0251/82260/ABIN/GSIPR, de 9 de maio de 2011, da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), são as seguintes ONGs estrangeiras: Amazon Watch, International Rivers, Avaaz Foundation, Greenpeace, World Wide Fund for Nature (WWF), Rainforest Foundation US e Interamerican Association for Environmental Defense (Aida). Como parceiras de ONGs brasileiras, as organizações The Nature Conservaney (TNC), Friends of the Eart, Conservation International (CI) e Clinton Global Initiative (CGI). Quais são os interesses deles? Não sei.

Ah, tem mais. A OEA (Organização dos Estados Americanos) solicitou que o Brasil suspenda, imediatamente, o processo de licenciamento e construção do complexo hidrelétrico. Eles cobram uma consulta aos índios! E mais ainda: "O Itamaraty recebeu prazo de quinze dias para informar à OEA sobre o cumprimento da 'determinação'"! Determinação? Prazo? Mas quem a OEA pensa que é? Ela, por acaso, determinou que os Estados Unidos assinassem o protocolo de Kyoto? Ora, quais são os interesses da OEA? O que ela quer com os nossos índios? Pois que a OEA tire o dedo dos assuntos brasileiros e enfie no nariz ou onde preferir.

E sendo assim, meu amigo, vamos aproveitar o dia de hoje pra falar que o Brasil é um país de merda. Vamos falar que o Brasil é um país de covardes, que o Brasil é um país de burros e ignorantes, que não tem vergonha na cara e nem interesse pelo pensamento e pela opinião própria. Vamos. Falemos hoje, porque amanhã não poderemos mais, sequer, dizer que o Brasil é um país, já que essa porcaria desse lugar permite que organizações internacionais invadam sua soberania e dêem pitacos em sua política interna ou externa.

Num determinado trecho do vídeo, os caras falam da produção da hidrelétrica. Que ela será a terceira maior hidrelétrica do planeta, mas não produzirá energia conforme seu potencial total. Ora, nenhuma hidrelétrica produz seu pleno potencial. Todas produzem uma porcentagem do possível, para minoração dos impactos ambientais, mas mantêm potencial, para quando for necessária uma produção maior. Ah, e a mulher lá diz que durante boa parte do ano aquela região praticamente seca! Será possível um trem desses? Na região de Altamira, no Pará? Minha mãe já esteve lá. E ela disse que as casa são todas construídas nos altos, tamanho é o índice pluviométrico da região. Ah, pra cima de mim? Inventa outra.

Mais uma: No tal vídeo está sendo alardeado que a construção vai custar trinta bilhões de reais! Trinta bilhões! Será que esse povo tem noção de valores? Nós estamos falando da construção de uma usina hidrelétrica. Geradora de energia. De crescimento. A terceira maior do mundo. E dizem que vão usar o meu dinheiro e o deles. Bom, só se for o deles, porque eu não tenho nada nem perto de trinta bilhões de reais. Gente, nós já somos grandinhos. O dinheiro que eu pago em impostos não é meu. É do país. Eu voto em representantes e pronto. O país não é meu. O Estado é uma abstração à qual eu dou poderes de gerir a sociedade. Só. O que tá lá não é meu nem seu. O dinheiro que eu pago em impostos deve ser aplicado mesmo. Pior é se tivesse indo pra cueca de mais algum deputado, assessor ou ministro.


E não se engane, a produção de energia solar ou eólica é muito menos eficaz e incomparavelmente mais cara. Imaginem a criação de uma usina eólica: onde ela seria instalada? Onde seria feito o desmate para instalação das hélices e turbinas? Você sabe que é necessária uma vastíssima região para instalação de inúmeras hélices para que ela produza alguma coisa? Trinta bilhões de reais está perto do que se deixa de arrecadar por ano em impostos em algumas áreas, por causa da sonegação. Disso ninguém fala, né.

Ah, e sabe quanto estima-se que será gasto para a realização da copa de 2014 no Brasil? Em torno de 33 bilhões de reais. Isso mesmo. Dinheiro que não tem volta. Dinheiro gasto. Não aplicado. Gasto. Ah, não, mas isso pode. Num país onde o povo acha justo que um jogador de futebol ganhe milhões em salários e um professor não chegue à cifra dos mil reais. Isso mesmo. Um amigo uma vez me disse que acha justo que um jogador de futebol ganhe isso tudo. E eu sei que muitos outros concordam. Jogador presta um servição pra sociedade. Usina hidrelétrica não.

Cissa Guimarães, indignada vem perguntar, no filminho idiota, se nós vamos deixar eles gastarem o "meu" dinheiro assim. Se ninguém vai discutir o assunto. Mas, ô, minha filha, sua burrinha, isso já vem sendo discutido há mais de vinte anos! Sabia disso não? Ora, mas você não disse ainda agora que pesquisou sobre o assunto? Pesquisou foi nada, né.

Meus amigos, nós somos inteligentes e não precisamos da globo pra pensar por nós e nem das organizações internacionais a nos ensinar que nós somos alienígenas no lugar errado. Que somos invasores e só atrapalhamos o planeta, como se não fizéssemos parte da natureza. Pois fazemos. Nós somos a natureza e, mais que isso, temos a capacidade e a inteligencia de a transformarmos.

Há alguns anos eu vi uma manchete numa revista, onde se lia: "Ainda falta muito para que o homem seja considerado bicho". E é isso mesmo. Um tabaréu miserável não merece a mesma atenção que um tatu. Um favelado não desperta a mesma ternura que um cachorrinho abandonado. E isso nunca será diferente. Senhores, meus amigos, deixemos de ser idiotas. Não tenhamos vergonha de sermos humanos. Vamos transformar o mundo. Não é preciso destruí-lo, mas não tenhamos medo de viver e explorar a vida, fazendo uso pleno da nossa capacidade de inteligência.

E mais que tudo, tenhamos a nossa própria opinião.